Narrador (a): Amanda
Nós estávamos em uma praia deserta, Caco e eu. Minha felicidade estava visível, e eu podia perceber que ele também estava feliz em estar ali comigo.
Ele então se aproximou de mim, e com seus braços, envolveu-me deixando-me sem ar, não por estar forte demais, mas por ser desse jeito que eu ficava quando ele tocava em mim. Então me aproximei dele, e quando íamos encostar nossos lábios, sou acordada, fazendo-me perceber que tudo aquilo era um sonho.
- Amanda acorda. – falou minha mãe, me tirando do único momento, em que o Caco era somente meu.
- Mãe, hoje é sábado, não sufoca, por favor. – falei colocando o travesseiro em minha cabeça, com a intenção de não a ouvir mais.
- Anda Amanda, levanta. – disse ela retirando a coberta que cobria meu corpo.
- Mãe, olha só, eu estava tendo um sonho maravilhoso, até você vir me perturbar. - eu agora me encontrava sentada em minha cama, fuzilando-a com meus olhos.
- Tudo bem então. – disse ela desistindo, enquanto eu me cobria novamente. – Só pensei que você gostaria de acompanhar a sua madrinha até o aeroporto para buscar a Betina. – disse, ela mexendo na maçaneta. – Mas se você prefere ficar sonhando, totalmente aceitável minha querida, eu ligo para a Lúcia, e digo que você não quer ir, eu sei que a Betina vai entender. – disse ela sendo sarcástica.
- Betina? É hoje? – meu travesseiro e minha coberta agora se encontravam no chão, enquanto eu me mantinha sentada novamente.
- Ué minha filha, você não ia ficar sonhando? – debochou minha mãe.
- Muito engraçado Dona Amélia, mas é sério que a Betina volta hoje? – eu agora prestava atenção em suas palavras.
- Vai, agora se arrume, desça para tomar café que sua madrinha a está esperando na casa dela. – disse minha mãe, saindo do meu quarto.
Fui até o banheiro, e enquanto deixava que água quente caísse sobre meu corpo, eu imaginava como seria meu reencontro com a Betina.
Há um ano, Betina havia recebido um convite para ser modelo, aceitando, ela foi morar na Califórnia, chegando lá, ela descobriu que não havia agência de modelo nenhuma, e como minha amiga não é boba nem nada, resolveu ficar e estudar na Califórnia por um ano.
As redes sociais e os meios de comunicações ajudaram bastante para que minha amizade com a Betina, não fosse abalada, mas ainda sim, eu estava receosa com o nosso reencontro. Afinal foi um ano que nós ficamos separadas.
Depois de tomar banho, me arrumei, descendo em seguida para tomar café.
- Amanda, que demora sua madrinha já ligou para cá, quatro vezes, e além do mais, você sabe como a Betina é, se ela ficar esperando por dois segundos a mais, ela tem um infarto. – disse minha mãe referindo-se a Betina pré Califórnia.
- Será que ela ainda é assim? – perguntei, sentando-me na cadeira, e mordendo um pedaço do pão.
- Ah minha filha, você está preocupada com alguma coisa? – perguntou minha mãe, sentando em uma cadeira vaga, à minha frente.
- Se as coisas não forem com antes mãe? – perguntei, mordendo outro pedaço do pão.
- Vai ser minha filha, vocês são melhores amigas, e amizade verdadeira, não muda assim do nada. – disse minha mãe, confortando-me. – Agora, chega de insegurança, e vai que sua madrinha deve estar louca da vida. – falou ela retirando o pão da minha mão.
- Tudo bem. – falei enquanto ia em direção a porta.
Betina e eu morávamos na mesma rua, então em poucos minutos eu já estava em frente à porta de sua casa. Antes que eu apertasse a campainha, eis que minha madrinha abre a porta, reclamando:
- Pela sua demora, meu cabelo secou, e eu tive que molhar de novo. – disse minha madrinha, trancando a porta.
Nossa viajem foi tranqüila, tirando o fato deu estar ansiosa de encontrar minha melhor amiga, que eu não via há um ano, será que ela ainda me considerava sua melhor amiga?
- Se ela se prostituiu e estiver grávida, eu a deixo em carne viva. – disse minha madrinha, quebrando o silêncio.
- Por que ela faria isso? – perguntei, rindo em seguida.
- Até parece que você não conhece ela, já deve ter dormido com todos os californianos. – disse ela, acelerando o carro.
- Madrinha ela é virgem. – falei sem graça.
- Só se for de produto químico né? – falou minha madrinha, fazendo a baliza para estacionar.
Enquanto caminhávamos até o centro do aeroporto, meu nervosismo aumentava a cada passo dado por mim.
- Anda logo Amanda, ela já deve estar nos esperando. – falou minha madrinha, puxando-me pelo pulso.
Assim, que chegamos ao local, onde as pessoas desembarcam, meus olhos rondavam por todo o aeroporto em busca da Betina. Enquanto meus olhos trabalhavam, meus pensamentos ainda me deixavam nervosa.
- Ali está ela. – disse minha madrinha, interrompendo o trabalho de meus olhos, e fazendo com que meus pensamentos focassem em outra coisa: pensar em como seria nosso encontro.
Meus olhos depois continuaram a vagar pelo espaço a procura de Betina, que mesmo com a dica de minha madrinha, que ela já estava em um lugar visível, eu ainda não a tinha reconhecido.
Mas quando minha madrinha caminha até uma bela mulher de cabelos castanhos e compridos, pude perceber que aquela era a minha melhor amiga, ou pelo menos costumava a ser.
Eu estava paralisada, aquela não podia ser a Betina, não a minha Betina. A mulher que meus olhos estavam vendo, era linda, era como se fosse uma modelo internacional. Não que a Betina fosse feia, mas é que ela parecia outra pessoa.
Enquanto eu admirava a beleza, da minha “melhor” amiga, pude perceber que ela vinha em minha direção.
- Não bonita, não é uma princesa, sou eu Betina, sua melhor amiga. – disse-me Betina abraçando-me, mostrando-me que pelo menos o seu humor continuava como de antigamente.
Mas o termo, “melhor amiga” era tudo que meu coração precisava ouvir.
- Que foi hein Amanda, minha maquiagem está borrada? Eu sabia, foi por isso que o piloto não me quis. – ela agora mexia em sua bolsa, com certeza a procura de um espelho.
- Você está linda. – gaguejei ainda admirada com a sua beleza.
- Verdade, talvez ele seja gay. – disse ela fechando sua bolsa, e agora me olhando fixamente.
- Eu estou tão feliz que você tenha voltado. – eu agora retribuía o abraço dado por ela inicialmente.
- E eu de estar novamente com você. – ela agora sorria para mim.
- Andem logo bonitas, eu tenho que ver a novela. – gritou a minha madrinha, metros de distância da gente.
- Vem amiga, se a gente andar de pressa, nós vamos conseguir fingir que não a conhecemos. – disse Betina, dando-me seu braço.
- Isso. – falei, colocando meu braço junto ao dela, e indo em direção ao carro.
- Mas me conta quais são as fofocas do Brasil? – disse ela, rindo.
- Menina você não sabe. – indaguei.
- Claro que eu não sei, eu não estava presente. Fala Amanda. – ela agora se mostrava impaciente.
- Sabe a Tânia, aquela que você brigou na oitava série? – falei esperando sua resposta.
- Claro o que ela fez? Ah se ela falou de mim, eu vou picotar a cara dela. – disse Betina abrindo a porta do carro.
- Ela dormiu com o professor de Geografia, engravidou, e fugiu com ele. – falei, esperando a sua reação.
- O Professor Gustavo? Mentira, mas ele é velho, eca! – disse Betina, fazendo cara de nojo, ao imaginar cena.
- Gata, como ela conseguiu sentir prazer com ele eu não sei, mas que ele da no coro, ele dá, porque ela engravidou. – eu agora, me sentia mais tranqüila, toda a tensão da volta dela, havia passado.
- Estou chocada, mas continua contando. – disse Betina, mostrando-se interessada.
Depois que chegamos a casa, Betina correu para a minha casa, e lá matamos a saudade e claro, fofocamos deveras mente.






1 comentários:
mUITO BOAAAAA
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